quarta-feira, 25 de abril de 2018

Memória Bancos

Antonio Borges de Queiroz e Julião Arroyo.

GENTE DA NOSSA TERRA (GNT) MEMÓRIA:
Monte Azul Paulista e o tempo das matrizes bancárias

Gente da Nossa Terra (GNT) destaca em “Memória” neste mês de abril as histórias de dois personagens ilustres de nossa sociedade, pessoas que buscaram o desenvolvimento e o crescimento de Monte Azul Paulista no início do século passado, fatos que alavancaram a economia da cidade e trouxeram progresso para o povo monte-azulense. Antônio Borges de Queiroz e Julião Arroyo fundaram as matrizes dos bancos que levam seus nomes e a partir de documentos e relatos de pessoas que fizeram parte desta história é que iremos mostrar um resumo de tudo como aconteceu.

QUEIROZ
Antônio Borges de Queiroz nasceu na Bahia e aqui, quando chegou, tinha 12 anos de idade, filho de Julio de Queiroz e Maria José Borges de Queiroz. Depois de formado casou-se com Diva Bruschini e tiveram seis filhos, todos homens: Carlos, Julio, José Augusto, Paulo, Álvaro e Fernando. Atendendo a conselhos de José Maria Whitaker, dirigente do Banco Comercial do Estado de São Paulo, do qual o patriarca Julio de Queiroz já era seu correspondente e amigo, foi constituída no dia 11 de fevereiro de 1922 a Casa Bancária Antônio de Queiroz, que sempre funcionou à rua São Pedro, onde funcionou até recentemente a Credicitrus. Em 1943 a Casa Bancária transformou-se em sociedade anônima, tornando-se um banco comercial com a denominação Banco Antônio de Queiroz S/A. O banco possuiu filiais primeiro em São Paulo e Santos, depois em cidades do interior paulista, funcionando até 1997, quando mudou de nome e proprietários.
Anúncio com as agências
do Banco Julião Arroyo.
Anúncio com as agências
do Banco Antonio de Queiroz
Sede do Banco Julião Arroyo na década de 1960 na praça Rio Branco.
ARROYO
Julião Arroyo nasceu em Monte Azul Paulista no dia 17 de junho de 1905, filho de Severiano Arroyo e Cypriana Lopes Arroyo. Casou-se com Otacília Patrício Arroyo em 10 de fevereiro de 1926 e tiveram cinco filhos: Wanda, José Oscar, Osvaldo Expedito, Clóvis Julião e Claudio Gilberto. Em 27 de maio de 1935 fundou uma sociedade em comandita por ações com a denominação social de Julião Arroyo & Cia, que passou no ano de 1944 a ser Banco Julião Arroyo S/A, funcionando até 1981, quando o próprio Julião Arroyo decidiu vender a patente ao Banco Fenícia, que aproximadamente três anos depois vendeu ao Bradesco. Naquela época, ele percebeu que as cartas patentes um dia poderiam não mais existir, seguindo o sistema bancário mundial, e preferiu que os filhos seguissem outros caminhos, especialmente na citricultura e pecuária. O banco possuiu em sua existência 12 filiais espalhadas pelo interior de São Paulo, com a matriz sempre funcionando em Monte Azul Paulista, à praça Rio Branco, onde hoje está instalada uma agência do Bradesco.

TRABALHARAM LÁ
Entre vários monte-azulenses que trabalharam nos Bancos Julião Arroyo e Antônio de Queiroz, e que estão vivendo ainda na cidade, escolhemos dois que pudessem falar a respeito do trabalho bancário naqueles tempos. Wilson Ramos Bicudo, hoje com 82 anos, se lembra bem dos ótimos momentos vividos no Banco Julião Arroyo. “Era uma outra época, muito trabalho, pois não tinha nada de computadores, era uma contabilidade feita na mão, e foi especial na minha vida profissional. Entrei em 1955 e fiquei 33 anos atuando na instituição bancária, depois mais dois meses no Banco Fenícia e seis meses no Bradesco. Comecei como contínuo, depois caixa. Naquela época trabalhávamos em dois períodos, pois o banco fechava para o almoço. Tinha 30 funcionários, e para mim foi gratificante trabalhar lá”, disse.
Sede do Banco Antonio de Queiroz na década de 1970, à rua São Pedro.

BANQUEIROZ
Admilson José Barato, o popular “Baratinha”, completou esta semana 65 anos de idade e entrou no Banco Antônio de Queiroz com 15 anos. “Entrei como office boy, fui auxiliar, depois chefe de serviços, gerente administrativo regional e gerente de operações. Saí do banco em 1º. de fevereiro de 2000. O banco havia sido vendido e passado a se chamar Crefisul em 1º. de janeiro de 1997, mas quebrou em março de 1999, quando já estava sob o controle do empresário Ricardo Mansur, que era também dono das lojas Mappin e Mesbla, que quebraram também na mesma época. Trabalhar no banco foi um período muito bom na minha vida, aprendi muito. Naquela época os balancetes eram feitos a mão, com as chamadas fitas copiativas, e hoje os ex-funcionários marcam pelas lembranças positivas vividas no banco. Naquele tempo todos éramos colegas de trabalho e aprendi muito, com muitos amigos que trabalharam no banco”, disse. Monte Azul Paulista manteve duas matrizes bancárias até 1981, e depois apenas o Banco Antônio de Queiroz seguiu com sua matriz na cidade até 1990, quando foi transferida para São Paulo, onde a família passou a viver. Os dados focados nesta matéria foram extraídos de um encarte de A Comarca do dia 26 de abril de 2015, quando o jornal completou 100 anos, e com o apoio de dados pesquisados por João Francisco Massoneto nos livros “A História de Monte Azul” e “Ruas de Nossa Terra”. (Alberto Aragão)


Atual edifício no local onde funcionou o Banco Julião Arroyo.

Atual edifício onde funcionou o Banco Antonio de Queiroz.

Balanços dos dois Bancos nas páginas do jornal A Comarca em edição de 1968.
Anúncio de comércio de Julião Arroyo antes de fundar o Banco.
Balanço mais antigo do Banco Antonio de Queiroz.

Admilson José Barato e Wilson Ramos Bicudo, ex-funcionários dos bancos.


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